Herpes Zoster Oftálmico: pequeno vírus, grandes danos

O vírus do herpes zoster (HZV), também chamado de vírus varicela zoster (VZV) ou herpes vírus humano – 3 (HHV-3), é um agente altamente contagioso e possui um capsídeo icosaédrico, envelopado, cujo material genético é uma dupla fita de DNA. Esse vírus tipicamente causa duas doenças principais: a varicela e o herpes zoster (HZ).

Varicela: A Infecção Primária

A varicela ocorre principalmente na infância, é altamente contagiosa e transmitida pelo ar. Ela provoca um quadro clássico de lesões cutâneas características. Quando a infecção primária acontece, o vírus entra pelo trato respiratório superior, se multiplica nos tecidos linfoides da faringe e, então, se espalha pela pele do hospedeiro, causando a varicela.

Latência e Reativação do Vírus

Logo após a infecção inicial, o vírus migra da pele para um grupo de neurônios sensoriais, principalmente nos ramos do nervo trigêmeo ou na cadeia dorsal do indivíduo. Lá, ele se aloja e entra em latência, porque o DNA viral se insere no DNA das células do hospedeiro. Esporadicamente, pode ocorrer reativação espontânea ou desencadeada por gatilhos específicos, levando a um quadro de lesões vesiculares dolorosas, delimitadas pelo dermátomo acometido.

Quem está mais vulnerável?

A reativação da infecção pelo HZV ocorre em cerca de 3 a 3,5 a cada 1000 pessoas por ano, e é rara em indivíduos jovens e saudáveis. Mas, por outro lado, torna-se muito mais comum em idosos, principalmente após os 70 anos, quando a incidência sobe para 10 casos a cada 1000 pessoas ao ano. Estima-se que, aos 85 anos, pelo menos metade das pessoas terá tido um episódio de herpes zoster.

Além disso, indivíduos imunocomprometidos — como pacientes com HIV/AIDS, transplantados e pessoas com câncer — têm risco maior porque seu sistema imunológico não controla bem o vírus.

Fatores que Podem Causar a Reativação

Alguns estudos sugerem que cirurgias ou traumas que lesionem os neurônios infectados podem desencadear a reativação viral. Isso acontece porque, ao tentar reparar a lesão, há um aumento da replicação do DNA viral. Em idosos acima de 65 anos, ocorre uma perda progressiva do controle dos linfócitos T — responsáveis por conter a infecção —, tornando-os menos eficientes. Além disso, outra teoria relaciona a reativação ao processo de apoptose em células senescentes infectadas, mas ainda faltam provas concretas.

Como o Herpes Zoster se Apresenta Clinicamente?

A apresentação clínica do herpes zoster pode variar muito: vai de quadros leves, até casos graves que levam à perda de visão e prejudicam a qualidade de vida. Essa variação depende da virulência da cepa viral, da intensidade da viremia e da resistência do hospedeiro.

Manifestações Clínicas do Herpes Zoster Oftálmico

O herpes zoster ocular ocorre em três fases principais: aguda, crônica e reativação. Porém, quase todos os pacientes apresentam uma fase prodômica com sintomas como:

  • Cefaleia
  • Mal-estar
  • Febre
  • Parestesia
  • Prurido
  • Dor em queimação
  • Olho vermelho
  • Linfonodomegalia
  • Sintomas parecidos com resfriado

Esses sinais costumam surgir cerca de sete dias antes do aparecimento das lesões cutâneas.

Lesões Cutâneas Características

As lesões aparecem como vesículas agrupadas, com base hiperemiada, que evoluem para crostas. Elas são unilaterais e limitadas a um ou dois dermátomos adjacentes. Os dermátomos mais afetados são:

  • T3
  • S3
  • V1 (primeiro ramo do nervo trigêmeo), que está diretamente relacionado ao herpes zoster oftálmico.

Sinal de Hutchinson: Alerta Para o Acometimento Ocular

As lesões na ponta do nariz, chamadas de Sinal de Hutchinson, indicam envolvimento do nervo nasociliar e são altamente preditivas do acometimento ocular. Cerca de 75% dos pacientes com esse sinal apresentam algum problema oftalmológico.

Figura 1: Herpes zoster em topografia de ramo V1 do nervo trigêmeo. (Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Day05_shingles_or_Herpes_Zoster_Virus_attacking_forehead_and_eye.jpg#/media/Fi

Lesões na ponta do nariz (Sinal de Hutchinson) estão relacionadas ao acometimento do nervo nasociliar, sendo um sinal altamente preditivo de acometimento ocular. Cerca de 75% dos pacientes com sinal de Hutchinson apresentam algum tipo de envolvimento oftalmológico (Figura 2). 

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