DOENÇA DE BEHÇET

A Doença de Behçet é uma doença inflamatória crônica e multissistêmica, caracterizada por uma combinação de manifestações clínicas. Entre elas, destacam-se úlceras orais recorrentes, lesões genitais, lesões cutâneas, artrite, inflamação gastrointestinal e, especialmente relevante aqui, a uveíte.

Além disso, a uveíte em pacientes com Doença de Behçet pode ser uma das manifestações mais graves e debilitantes.


Como a uveíte se manifesta na Doença de Behçet?

Na maioria dos casos, a uveíte se apresenta como uma uveíte anterior aguda, que pode ser recorrente e afetar ambos os olhos (bilateral).
Os sintomas geralmente incluem:

  • Dor ocular intensa
  • Vermelhidão
  • Fotofobia
  • Visão turva

Entretanto, se não for tratada adequadamente, a uveíte pode levar a complicações graves, como glaucoma, catarata, descolamento de retina e até perda permanente da visão.


O que causa a uveíte na Doença de Behçet?

A causa exata ainda não é totalmente compreendida, porém acredita-se que envolva uma resposta autoimune desregulada em pessoas geneticamente predispostas.
Além disso, fatores ambientais, como infecções virais ou bacterianas, podem desencadear a inflamação.

Assim, a inflamação crônica leva à vasculite — inflamação dos vasos sanguíneos, incluindo os da úvea — o que contribui diretamente para o desenvolvimento da uveíte.


Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico baseia-se em sintomas clínicos e exame oftalmológico detalhado, mas também pode incluir exames laboratoriais e de imagem para excluir outras causas de uveíte.

Quanto ao tratamento, o objetivo é controlar a inflamação ocular, aliviar os sintomas e prevenir complicações. Isso pode envolver:

  • Colírios com corticosteroides
  • Agentes imunossupressores, como azatioprina ou ciclosporina
  • Em casos graves e refratários, terapias biológicas, como anticorpos monoclonais anti-TNF

Manejo multidisciplinar e acompanhamento

O manejo da uveíte na Doença de Behçet requer uma abordagem multidisciplinar, ou seja, a colaboração entre oftalmologistas, reumatologistas e outros profissionais de saúde.
Dessa forma, o acompanhamento regular é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento, prevenir complicações e garantir a saúde ocular a longo prazo.

Referências:

1. Criteria for diagnosis of Behçet’s disease. International Study Group for Behçet’s Disease. Lancet. 1990;335(8697):1078-1080.

2. Tugal-Tutkun I, Onal S, Altan-Yaycioglu R, Huseyin Altunbas H, Urgancioglu M. Uveitis in Behçet disease: an analysis of 880 patients. Am J Ophthalmol. 2004;138(3):373-380.

3. Hatemi G, Christensen R, Bang D, et al. 2018 update of the EULAR recommendations for the management of Behçet’s syndrome. Ann Rheum Dis. 2018;77(6):808-818.

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