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Doença de Behçet

Doença de Behçet e uveíte: manifestações oculares | Dra. Laura Alves Valle
Artigo

Doença de Behçet

Por Dra. Laura Alves Valle · Oftalmologia & Uveítes

A Doença de Behçet é uma doença inflamatória crônica e multissistêmica, caracterizada por uma combinação de manifestações clínicas, incluindo úlceras orais recorrentes, lesões genitais, lesões cutâneas, artrite, inflamação gastrointestinal e, particularmente relevante para este contexto, uveíte. A uveíte em pacientes com Doença de Behçet pode ser uma das manifestações mais graves e potencialmente debilitantes.

Úlceras orais recorrentes e inflamação ocular estão entre as manifestações da Doença de Behçet.
Úlceras orais recorrentes e inflamação ocular estão entre as manifestações da Doença de Behçet.

A uveíte em pacientes com Doença de Behçet geralmente se manifesta como uma uveíte anterior aguda, que pode ser recorrente e bilateral. Os sintomas incluem dor ocular intensa, vermelhidão, fotofobia e visão turva. Se não for tratada adequadamente, a uveíte em pacientes com Doença de Behçet pode levar a complicações graves, como glaucoma, catarata, descolamento de retina e perda de visão permanente.

A etiologia exata da uveíte associada à Doença de Behçet não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma resposta autoimune desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais, como infecções virais ou bacterianas. A inflamação crônica associada à Doença de Behçet pode levar à vasculite, que é a inflamação dos vasos sanguíneos, incluindo os vasos da úvea, o que contribui para a uveíte observada nesses pacientes.

O diagnóstico da uveíte em pacientes com Doença de Behçet é baseado em sintomas clínicos, exame oftalmológico detalhado e, às vezes, exames laboratoriais e de imagem para excluir outras causas de uveíte. O tratamento da uveíte em pacientes com Doença de Behçet visa controlar a inflamação ocular, aliviar os sintomas e prevenir complicações. Isso pode envolver o uso de colírios com corticosteroides, agentes imunossupressores, como azatioprina ou ciclosporina, e, em casos graves e refratários, terapias biológicas, como anticorpos monoclonais anti-TNF.

O manejo da uveíte em pacientes com Doença de Behçet requer uma abordagem multidisciplinar envolvendo oftalmologistas, reumatologistas e outros profissionais de saúde. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a resposta ao tratamento, prevenir complicações e manter a saúde ocular a longo prazo.

Referências

  • Criteria for diagnosis of Behçet's disease. International Study Group for Behçet's Disease. Lancet. 1990;335(8697):1078-1080.
  • Tugal-Tutkun I, Onal S, Altan-Yaycioglu R, Huseyin Altunbas H, Urgancioglu M. Uveitis in Behçet disease: an analysis of 880 patients. Am J Ophthalmol. 2004;138(3):373-380.
  • Hatemi G, Christensen R, Bang D, et al. 2018 update of the EULAR recommendations for the management of Behçet's syndrome. Ann Rheum Dis. 2018;77(6):808-818.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um oftalmologista. Em caso de sintomas, procure atendimento especializado.

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