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Esclerose Múltipla

Esclerose múltipla e os olhos: neurite óptica e mais | Dra. Laura Alves Valle
Artigo

Esclerose múltipla e os olhos

Por Dra. Laura Alves Valle · Oftalmologia & Uveítes

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença que atinge o sistema nervoso central, afetando o cérebro e a medula espinhal.

A esclerose múltipla danifica a mielina dos nervos — inclusive os responsáveis pela visão.
A esclerose múltipla danifica a mielina dos nervos — inclusive os responsáveis pela visão.

Ela provoca inflamação e danos na mielina, que é a camada que reveste os nervos e permite que os sinais elétricos passem corretamente.

Como os nervos responsáveis pela visão fazem parte do sistema nervoso, os olhos podem ser diretamente afetados.

1. Como a EM pode afetar a visão?

A manifestação ocular mais comum da Esclerose Múltipla é a:

Neurite Óptica

Inflamação do nervo óptico, estrutura que leva as imagens do olho até o cérebro.

Sintomas típicos

  • Visão embaçada ou “apagada” em um olho
  • Dor ao mover o olho
  • Diminuição da percepção de cores
  • Sensação de que “falta luz”
  • Manchas escuras no centro da visão (escotomas)

A neurite óptica pode ser o primeiro sintoma da EM em até 1/4 dos pacientes.

2. Alterações nos movimentos oculares

A EM também pode atingir áreas do cérebro que controlam os músculos dos olhos, causando:

Diplopia (visão dupla)

O cérebro recebe imagens desalinhadas e o paciente percebe dois objetos em vez de um.

Nistagmo

Movimentos involuntários e rápidos dos olhos, causando:

  • Tontura
  • Oscilação da visão
  • Dificuldade para fixar o olhar

3. Alterações na retina

Embora menos comuns, estudos mostram que a EM pode causar afinamento das camadas da retina, associado à atividade inflamatória da doença.

Geralmente não causa sintomas diretos, mas pode ser identificado em exames como o OCT.

4. A EM pode causar cegueira?

Felizmente, na grande maioria dos casos, a neurite óptica melhora total ou parcialmente com tratamento.

A perda visual permanente severa é rara, especialmente com diagnóstico e tratamento precoces.

A recuperação pode levar:

  • dias a semanas para melhorar
  • meses para recuperação completa

5. Como é feito o diagnóstico das alterações oculares?

O oftalmologista pode solicitar:

  • Avaliação do fundo de olho
  • Teste de cores
  • Campo visual
  • OCT da retina e do nervo óptico
  • Ressonância magnética (essencial para diagnóstico de EM)

6. Qual é o tratamento ocular na Esclerose Múltipla?

Para neurite óptica

  • Corticoide intravenoso (tratamento padrão para acelerar a recuperação)
  • Acompanhamento neurológico para iniciar tratamento modificador da doença (imunomoduladores)

Para visão dupla

  • Prismas nos óculos
  • Fechamento temporário de um olho
  • Tratamento da inflamação de base

Para nistagmo

  • Medicações específicas
  • Reabilitação visual

7. Quando procurar um oftalmologista?

Procure atendimento urgente se tiver:

  • Visão embaçada repentina
  • Dor ao mover os olhos
  • Mudança na percepção de cores
  • Visão dupla
  • Oscilação visual
  • Manchas escuras no campo de visão

Mesmo que já tenha diagnóstico de EM, qualquer mudança visual deve ser avaliada.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um oftalmologista. Em caso de sintomas, procure atendimento especializado.

Mudança repentina na visão?

Qualquer alteração visual deve ser avaliada. Agende com a Dra. Laura Alves Valle.

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